Rufus: quase humano.
Trilhas de hoje:
House, Marillion
Rites of passage, Fish
When the angels fall, Sting
The price of fire, Capercaillie
As canções acima, envolventes, lânguidas, sonhadoras, românticas, combinam muito bem com esses últimos dias chuvosos...
Não adianta: fico irremediavelmente romântico em dias assim... Enquanto muitos maldizem as chuvas, traiçoeiras e responsáveis pelo caos que se instala nas cidades, eu fico melancólico como uma criança, ao ver a vida passando lá fora, através das vidraças molhadas...
E (confesso) sou meio maluco também: adoro dirigir na chuva, ouvindo trilhas sonoras que completam a paisagem nublada à minha frente... Sinto-me como se estivesse em meio a um clip, um quadro vivo que evoca, que exala pura música...
Sinto que eu moraria muito bem em países tristes e nublados como a Bélgica ou mesmo o Reino Unido.
E o que posso fazer? Tenho culpa se não sou muito chegado ao calor? Todo mundo (eu incluso, claro...) gosta de sol, praia, vento, tardes modorrentas regadas a um bom choppinho, mas o calor me desgasta incrivelmente. Entro em câmera lenta, parece que tudo trava, parece que vou me evaporar em meio às lufada de calor implacáveis.
Nos tempos mais amenos, inverto a corrente: meus neurônios despertam, as engrenagens invisíveis da imaginação começam a funcionar melhor, e minha disposição só faz aumentar...
Ruído de chuva lá fora, noites frias regadas a chás adoçados (com dois torrões de imaginação), PC à frente e ausência de sono: tudo isso já me bastaria para escrever linhas intermináveis e inspiradíssimas.
Bem, para quem não concorda com todo esse meu envolvimento “úmido” com a chuva, que estas linhas, escritas uma vez por mim, sirvam de consolo:
“Os poetas amam a chuva a distância. Se estivessem aqui embaixo, ensopados como estou agora, amariam a chuva muito mais longe ainda...”