Rufus: quase humano.
Vou me silenciar por esses dias de feriado. PC pifado em casa...
Por isso vou deixar uma amostra bem original de um novo tipo de forma poética que "inventei": o soluço. Defino assim um poema totalmente aleatório, em quatro quartetos, escrito rapidamente, à maneira surrealista, pescando imagens e sonoridades por meio de "imagens acústicas" randômicas (quem disse que a Lingüística não tem seu quê de poético?).
Alguns são bem diferentes, emblemáticos, outros tão sem sentido que só um pleiadiano poderia compreender, pois eu mesmo não sei o que querem dizer, se é que eu quis mesmo dizer algo com eles...
Mas o que todos trazem em comum é a farta sonoridade vocabular e o jogo de imagens. Com vocês:
Soluço XXIII
Pendem fumos de um ar aquoso,
Põem-no entre dentes de cansaço.
A morder-lhe em vão o basto vapor,
Da noite algum coruja se alimenta.
E fica mais o estampido de uma
Cor, da aurora sombria na finitude
Da crosta sempre terrestre.
Ali, aqui, um som, uma mão, um eco.
Alicerces que tombam, três a três,
Rolando no crocitar de plumas.
Um basileu comovido, sentido,
Traído pelas esferas antes perfeitas.
Agora pendem frutos, pendem mitos,
Ao alcance da voz e do peito.
A morte sempre espessa, com seu leito;
A vida sempre tola, com seus gritos.
Bom feriado, e que todos permaneçamos vivos, para que continuemos a buscar o(s) sentido(s) da vida.